Regressar de Kiev com a certeza de que a adesão da Ucrânia à União Europeia não é um exercício burocrático, de capítulos e clusters, mas uma promessa a um povo que continua a defender os valores que são os nossos — esta é a conclusão de quem visita a capital ucraniana em plena guerra e observa de perto a determinação de um país que não desiste.
Um processo histórico em marcha
Em junho de 2026, a União Europeia desbloqueou oficialmente o início da primeira fase das negociações de adesão da Ucrânia, focada no agrupamento de «fundamentos» — Estado de Direito, democracia e direitos humanos. O avanço foi possível após o novo governo húngaro, liderado pelo primeiro-ministro Peter Magyar, retirar o veto que impedia o progresso das discussões desde 2024.
A conferência intergovernamental que formalizou este início realizou-se a 15 de junho de 2026, em Luxemburgo, com a presença de António Costa, presidente do Conselho Europeu, e de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia. Ambos sublinharam o carácter histórico do momento.
Kiev, uma cidade que não para
Quem visita Kiev hoje encontra uma cidade que, apesar dos bombardeamentos e das privações da guerra, mantém uma vitalidade surpreendente. As esplanadas estão cheias, as universidades funcionam, e os ucranianos falam da Europa não como um destino distante, mas como uma casa para a qual estão a regressar.
Integração progressiva
Paralelamente às negociações formais, a Ucrânia tem sido progressivamente integrada em programas europeus. Desde 1 de janeiro de 2026, o país faz parte da área de roaming da UE, permitindo que cidadãos ucranianos e europeus utilizem serviços móveis sem taxas adicionais. A Ucrânia participa também no programa Conectando a Europa e no Programa de Mercado Único.
O caminho é longo — os 33 capítulos de negociação exigirão anos de trabalho e reformas profundas. Mas a direção está traçada. E para os ucranianos que continuam a resistir, a perspetiva europeia não é apenas uma questão política: é uma questão de identidade e de futuro.


