A tensão tecnológica entre os Estados Unidos e a China ganhou um novo capítulo com a decisão do gigante chinês Alibaba de proibir os seus funcionários de utilizarem o Claude Code, a ferramenta de programação assistida por inteligência artificial desenvolvida pela empresa americana Anthropic. A medida surge após a plataforma ter sido detetada a sinalizar automaticamente utilizadores que se ligavam a partir de endereços IP localizados na China.
Um conflito com duas faces
A proibição interna da Alibaba é, paradoxalmente, bem-vinda para a Anthropic. A empresa americana, fundada por ex-investigadores da OpenAI, tem procurado ativamente impedir que empresas tecnológicas chinesas utilizem os seus modelos de inteligência artificial — uma posição alinhada com as restrições à exportação de tecnologia impostas pelo governo dos Estados Unidos.
A Anthropic acusa a Alibaba de ter conduzido campanhas de «destilação» em larga escala: segundo a empresa americana, o grupo chinês terá criado cerca de 25 000 contas falsas para interagir sistematicamente com o Claude e recolher as suas respostas, utilizando esses dados para treinar os seus próprios modelos de IA. Esta prática, conhecida como model distillation, permite replicar as capacidades de um modelo avançado sem acesso direto ao seu código ou pesos.
O contexto da rivalidade tecnológica
O episódio insere-se numa rivalidade crescente entre os Estados Unidos e a China no domínio da inteligência artificial, considerada uma tecnologia estratégica de primeira ordem. Washington tem imposto restrições progressivas à exportação de semicondutores avançados e de tecnologias de IA para a China, enquanto Pequim tem investido massivamente no desenvolvimento de capacidades próprias neste setor.
A Anthropic, que conta com investimentos significativos da Amazon e da Google, posiciona-se como uma empresa comprometida com o desenvolvimento seguro e responsável da IA — uma missão que, segundo os seus responsáveis, é incompatível com a utilização dos seus modelos por entidades que procuram contornar as salvaguardas implementadas.
Implicações para o setor
O caso Alibaba-Anthropic ilustra as dificuldades crescentes de gerir o acesso a tecnologias de IA de ponta num contexto de fragmentação geopolítica do espaço digital. À medida que os modelos de linguagem se tornam ferramentas essenciais para a produtividade empresarial, a questão de quem pode aceder a quê — e em que condições — promete dominar o debate tecnológico e regulatório nos próximos anos.


