A Rússia intensificou os seus esforços para neutralizar a rede de satélites Starlink na Ucrânia, mas enfrenta obstáculos técnicos e operacionais que comprometem seriamente a eficácia desta estratégia. O sistema de guerra electrónica «Volna Kupol Garant» — desenvolvido pela empresa russa Rossiysky Kupol, sediada em Simferopol — foi concebido especificamente para interferir com os canais de comunicação da constelação da SpaceX, mas os resultados práticos ficam muito aquém das expectativas.
Como Funciona o Sistema Russo
O «Volna Kupol Garant» opera através de um conjunto de antenas parabólicas rotativas — tipicamente doze antenas distribuídas por seis reboques — que emitem interferências de alta potência na gama de frequências de 14 a 14,5 GHz, correspondente ao canal de subida dos terminais Starlink. O objectivo é «ensurdecer» os satélites, impedindo-os de receber sinais dos terminais terrestres ucranianos. Cada sistema cobre uma área de aproximadamente 20 quilómetros quadrados.
As Limitações Técnicas
Apesar do custo elevado — estimado em 1,5 milhões de dólares por unidade —, o sistema enfrenta limitações estruturais que o tornam pouco eficaz contra a arquitectura da Starlink. A constelação opera com mais de 10.000 satélites em órbita baixa, que passam sobre qualquer ponto da Terra a cada poucos minutos. A comutação rápida e sincronizada entre satélites torna praticamente impossível bloquear a cobertura de forma sustentada.
Acresce que o sistema tem uma pegada física considerável e requer grandes quantidades de energia, frequentemente fornecida por geradores ou linhas eléctricas externas. Esta visibilidade torna-o um alvo prioritário para as forças ucranianas, que utilizam drones para localizar e destruir as unidades após a detecção das suas emissões electromagnéticas.
Resposta Ucraniana e Contexto Estratégico
As forças ucranianas têm sistematicamente identificado e destruído unidades do «Volna Kupol Garant», com imagens de vídeo a documentar a eliminação de pelo menos um sistema nas últimas semanas. A Rússia havia pausado a implantação em massa após a destruição dos primeiros protótipos em 2024, retomando o esforço em 2026 para proteger rotas logísticas.
Em paralelo, a SpaceX implementou em Fevereiro de 2026 uma política de lista branca para os terminais Starlink na Ucrânia, eliminando o serviço a todos os dispositivos não autorizados. A medida perturbou significativamente as comunicações militares russas que dependiam de terminais Starlink capturados ou adquiridos ilegalmente, complicando ainda mais o ambiente de guerra electrónica para Moscovo.


