Um relatório de 64 páginas divulgado pelo inspector-geral do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos concluiu que o Serviço Secreto falhou de forma sistemática na protecção do então candidato presidencial Donald Trump durante o comício de Butler, na Pensilvânia, a 13 de Julho de 2024, onde Thomas Matthew Crooks efectuou um ataque que feriu Trump e matou um participante.
102 chamadas de rádio ignoradas
A investigação determinou que o Serviço Secreto não captou 102 transmissões de rádio das forças de segurança locais, que incluíam alertas sobre a presença de um indivíduo suspeito num telhado próximo do palco com uma arma longa. A falha deveu-se à ausência de uma sala de comunicações conjunta entre o Serviço Secreto e as autoridades locais. Em vez das 102 chamadas de rádio, os agentes federais receberam apenas cinco chamadas telefónicas e três mensagens de texto, insuficientes para transmitir a urgência da situação.
Sistema anti-drone inoperacional
O relatório revelou ainda que o atacante utilizou um drone para sobrevoar o local do comício durante quase nove minutos, reconhecendo o palco antes do ataque. O sistema de detecção de drones do Serviço Secreto estava inoperacional, gerido por um único operador sem formação adequada, que passou horas a tentar resolver avarias sem sucesso.
Vulnerabilidades no perímetro de segurança
Os inspectores identificaram também falhas no perímetro de segurança. O complexo American Glass Research, identificado durante os reconhecimentos prévios como um ponto de risco de linha de visão, não foi devidamente bloqueado. Propostas para posicionar camiões a obstruir a visão foram abandonadas após objecções da equipa de campanha relativamente à fotografia de imprensa, sem que o Serviço Secreto verificasse se medidas alternativas foram implementadas.
Resposta da agência
O Serviço Secreto reconheceu as conclusões do relatório e afirmou concordar com as recomendações apresentadas. A agência indicou ter já implementado várias reformas, incluindo investimentos em nova tecnologia, reforço de pessoal e revisão dos protocolos de operações de protecção. Seis funcionários foram suspensos na sequência das investigações internas.
O relatório representa uma das análises mais detalhadas e críticas sobre as falhas de segurança que permitiram o atentado, levantando questões sobre a capacidade do Serviço Secreto para proteger figuras políticas de alto perfil.


