Uma professora do estado do Paraná, no Brasil, tornou-se protagonista de um ato de coragem improvável ao salvar um homem de ser atropelado por um comboio, apesar de sofrer de um profundo pavor de comboios desde a infância. O incidente ocorreu na quarta-feira, em Apucarana, no norte do Paraná, e foi registado por câmeras de segurança que captaram a sequência de eventos com detalhe impressionante.
Oito Segundos que Fizeram a Diferença
Karla França conduzia o seu automóvel em direção à escola da filha quando avistou João Dakizuki, de 55 anos, a cair nos carris de uma passagem de nível na Rua Hermes da Fonseca. O aposentado, que se desloca com a ajuda de um andarilho, desequilibrou-se às 13h39 e ficou imobilizado nos trilhos enquanto um comboio se aproximava a alta velocidade, com o maquinista a acionar as buzinas de alerta.
Sem hesitar, Karla abandonou o carro e correu até ao homem. Com a ajuda de outro condutor que parou entretanto, conseguiu arrastar João para fora dos carris às 13h39:26. O comboio passou às 13h39:34 — apenas oito segundos depois. O aposentado não sofreu qualquer ferimento.
«Fui Instrumento de Deus»
Em declarações à televisão local RPC, Karla revelou a dimensão do seu medo: «Eu fui instrumento mesmo de Deus, porque eu jamais faria isso. O meu marido sabe, ele não passa na linha do comboio quando o trem está a vir, porque eu tenho muito medo, muito medo. E é medo de chorar, de dar crise de ansiedade.» A professora confessou não saber a origem exata do seu trauma, mas garantiu que a cena ficará gravada na sua memória: «Foi um ato heroico, mas eu ainda tenho medo da cena. O barulho da buzina do comboio ficou por muito tempo.»
Karla acredita que o desequilíbrio de João terá sido causado pelo calçado largo que o homem usava. João vendia latinhas recicláveis quando o acidente ocorreu.
Alerta da Concessionária
A concessionária ferroviária Rumo emitiu uma nota a lembrar que os maquinistas utilizam buzinas para alertar pedestres sobre comboios em movimento, e reforçou a importância de manter distância segura dos trilhos. A empresa sublinhou que um comboio, mesmo após acionar os travões de emergência, não consegue parar de imediato devido ao peso e dimensão da composição.


