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POLÍTICA

Portugal: Pedidos de Comissões de Inquérito Disparam na Assembleia da República, mas Maioria Não Avança

Em um ano de legislatura, foram entregues nove pedidos de comissões de inquérito na Assembleia da República portuguesa, mas apenas dois avançaram: ao INEM, da Iniciativa Liberal, e aos incêndios florestais, do Chega. Os restantes foram chumbados pela maioria governamental do PSD e CDS-PP.

Redação Observatório Mundial
3 de junho de 2026 às 07:38
Portugal
Portugal: Pedidos de Comissões de Inquérito Disparam na Assembleia da República, mas Maioria Não Avança

Em apenas um ano de legislatura, foram entregues na Assembleia da República portuguesa nove pedidos para a abertura de comissões parlamentares de inquérito, um número que reflecte a crescente utilização deste instrumento de fiscalização por parte dos partidos da oposição. Contudo, apenas dois desses pedidos tiveram seguimento efectivo, revelando as dificuldades em obter as maiorias necessárias para a sua aprovação.

Os Dois Inquéritos Aprovados

Das nove iniciativas apresentadas, apenas duas conseguiram reunir apoio suficiente para avançar: o inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), proposto pela Iniciativa Liberal (IL), e o inquérito aos incêndios florestais, apresentado pelo Chega. Ambos os temas têm estado no centro do debate público português nos últimos meses, com episódios que geraram forte contestação social.

O inquérito ao INEM surge na sequência de várias polémicas relacionadas com a gestão do instituto e com casos de alegadas falhas no socorro de emergência. Já o inquérito aos fogos pretende apurar responsabilidades pela gestão das crises de incêndios que têm devastado o interior do país.

Os Pedidos que Ficaram pelo Caminho

Os restantes sete pedidos de inquérito não conseguiram reunir os votos necessários para a sua constituição, sendo chumbados maioritariamente com os votos do Partido Social Democrata (PSD) e do CDS-PP, que formam a actual maioria governamental. Os partidos da oposição acusam o governo de bloquear mecanismos de fiscalização parlamentar em matérias politicamente sensíveis.

Entre os temas que não avançaram encontram-se inquéritos relacionados com a gestão de contratos públicos, a situação do Serviço Nacional de Saúde e alegadas irregularidades em processos de concessão de licenças urbanísticas.

Debate sobre a Eficácia do Instrumento

O fenómeno levanta questões sobre a eficácia das comissões de inquérito como instrumento de fiscalização parlamentar em Portugal. Constitucionalistas ouvidos pela comunicação social alertam que a proliferação de pedidos sem aprovação pode desgastar o instrumento e alimentar a percepção de que o parlamento não cumpre adequadamente a sua função de controlo do executivo.

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