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OPINIÃO

Portugal enfrenta crise climática com frio intenso, enchentes e dezenas de mortos

Após ondas de frio e fortes chuvas, Portugal enfrenta enchentes devastadoras, com dezenas de mortos e milhares de desabrigados, especialmente em Leiria.

Redação
5 de fevereiro de 2026 às 03:08
Portugal
Portugal enfrenta crise climática com frio intenso, enchentes e dezenas de mortos

Portugal vive uma sequência dramática de eventos climáticos extremos que têm colocado o país em estado de emergência. Após um período de frio intenso, que já havia causado prejuízos e dificuldades à população, o território nacional foi atingido por fortes chuvas que provocaram enchentes severas, especialmente na região de Leiria, uma das mais afetadas até o momento.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), as condições meteorológicas adversas começaram há cerca de duas semanas, com temperaturas abaixo da média para esta época do ano, seguidas por precipitações intensas que excederam o limite previsto para o mês. O resultado tem sido um cenário de destruição e sofrimento para milhares de portugueses.

Leiria, localizada na região centro do país, enfrenta a pior parte da crise. As enchentes provocaram o transbordamento de rios e alagamentos em áreas urbanas e rurais, causando o deslocamento forçado de inúmeras famílias. Segundo dados do Serviço Nacional de Proteção Civil, já são contabilizados mais de 3.500 desabrigados em todo o país, com uma concentração significativa em Leiria.

Além dos prejuízos materiais, a crise climática já deixou um saldo trágico de pelo menos 27 mortos, entre civis e profissionais de resgate. Muitas mortes ocorreram devido a deslizamentos de terra e afogamentos nas áreas inundadas. "Estamos diante de uma situação sem precedentes, que exige uma resposta rápida e coordenada entre governo, forças de segurança e comunidades locais", afirmou a ministra da Administração Interna, Ana Gomes, em coletiva realizada nesta quinta-feira (22).

O governo português declarou estado de calamidade pública e anunciou um pacote emergencial para atender as necessidades das populações afetadas. Entre as medidas estão a mobilização de unidades de abrigo temporário, distribuição de alimentos e medicamentos, além do apoio psicológico para as vítimas. "Nosso foco imediato é garantir a segurança e o bem-estar das famílias que perderam suas casas e meios de subsistência", declarou o primeiro-ministro António Costa.

Empresas locais também sofrem com os impactos das enchentes. Pequenos e médios negócios, especialmente nas áreas comerciais e agrícolas, enfrentam perdas significativas. A Confederação Empresarial de Portugal informou que está trabalhando junto ao governo para facilitar o acesso a linhas de crédito e auxílios financeiros para a recuperação econômica.

Especialistas em clima alertam que episódios como esses devem se tornar mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas globais. "O que estamos vendo é um reflexo direto do aquecimento planetário, que altera padrões de chuva e temperatura, aumentando a vulnerabilidade de regiões inteiras", explica o climatologista José Silva, da Universidade de Lisboa.

A população portuguesa demonstra resiliência, mas também preocupação com o futuro. Organizações não governamentais e voluntários se mobilizam para auxiliar nas ações de socorro e reconstrução. "É um momento de união e solidariedade, mas também de reflexão sobre a urgência de políticas públicas eficazes de adaptação e mitigação da crise climática", afirma a coordenadora da ONG Ambiente Vivo, Marta Ferreira.

Portugal enfrenta, portanto, não apenas uma emergência imediata, mas um desafio estrutural que exige mudanças profundas para proteger seus cidadãos e seu território das futuras crises climáticas. O governo já sinalizou a intenção de investir em infraestrutura resiliente e em programas de prevenção, na tentativa de minimizar os impactos das próximas adversidades meteorológicas.

O cenário atual serve como alerta para toda a Europa, que observa com atenção a evolução da situação no país. A crise climática não é mais uma ameaça distante, mas uma realidade que exige ação imediata e coordenada em nível global.

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