Início/MATÉRIA DE OPINIÃO - CENÁRIO INTERNACIONAL/PF investiga suposta milícia digital ligada a interesses financeiros contra o Banco Central
Voltar
MATÉRIA DE OPINIÃO - CENÁRIO INTERNACIONAL

PF investiga suposta milícia digital ligada a interesses financeiros contra o Banco Central

A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar a atuação de uma suposta milícia digital que teria sido mobilizada para atacar o Banco Central do Brasil e influenciar decisões institucionais relacionadas à liquidação de um banco envolvido em um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional.

Fernando Quintão
10 de janeiro de 2026 às 03:04
Internacional
PF investiga suposta milícia digital ligada a interesses financeiros contra o Banco Central

A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar a atuação de uma suposta milícia digital que teria sido mobilizada para atacar o Banco Central do Brasil e influenciar decisões institucionais relacionadas à liquidação de um banco envolvido em um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional.

As informações foram reveladas pela jornalista Malu Gaspar, em reportagens publicadas no jornal O Globo, e apontam para uma operação coordenada envolvendo influenciadores digitais, intermediários e interesses econômicos de grande porte.

Ofertas milionárias a influenciadores

Segundo a apuração, influenciadores digitais relataram ter sido procurados por intermediários que ofereciam valores elevados — que poderiam chegar a até dois milhões de reais por contratos de três meses — para disseminar nas redes sociais a narrativa de que a liquidação do banco teria ocorrido de forma precipitada e irregular.

O cachê variava conforme o número de seguidores e o alcance de cada perfil, com o objetivo de criar artificialmente um ambiente de apoio popular às críticas dirigidas ao Banco Central do Brasil.

Pressão institucional e o TCU

As campanhas digitais também teriam como pano de fundo a tentativa de pressionar o Tribunal de Contas da União, onde um ministro chegou a cogitar medidas que poderiam suspender ou reverter o processo de liquidação do banco.

O banco em questão foi fechado após a constatação de um rombo estimado em cerca de 12 bilhões de reais, considerado por investigadores como a maior fraude já apurada no sistema financeiro brasileiro.

Descoberta da operação e recuo

De acordo com Malu Gaspar, o ministro do TCU recuou de suas iniciativas após forte pressão interna e, principalmente, depois que a existência da milícia digital começou a vir à tona. A revelação da campanha coordenada foi determinante para o avanço das investigações.

A Polícia Federal agora busca identificar os financiadores da operação, os intermediários envolvidos e se houve tentativa de obstrução ou manipulação do funcionamento de instituições públicas.

Poder, influência e redes sociais

O episódio reacende o debate sobre o uso de estruturas digitais para influenciar decisões de Estado, atacar jornalistas e criar artificialmente consensos políticos. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a profissionalização dessas estratégias representa um risco crescente para a transparência institucional e o debate democrático.

O Observatório Mundial continuará acompanhando os desdobramentos do caso, à medida que novas informações forem oficialmente confirmadas pelas autoridades e pela imprensa.

Compartilhe esta notícia: