PF investiga suposta milícia digital ligada a interesses financeiros contra o Banco Central
A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar a atuação de uma suposta milícia digital que teria sido mobilizada para atacar o Banco Central do Brasil e influenciar decisões institucionais relacionadas à liquidação de um banco envolvido em um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional.

A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar a atuação de uma suposta milícia digital que teria sido mobilizada para atacar o Banco Central do Brasil e influenciar decisões institucionais relacionadas à liquidação de um banco envolvido em um dos maiores escândalos do sistema financeiro nacional.
As informações foram reveladas pela jornalista Malu Gaspar, em reportagens publicadas no jornal O Globo, e apontam para uma operação coordenada envolvendo influenciadores digitais, intermediários e interesses econômicos de grande porte.
Ofertas milionárias a influenciadores
Segundo a apuração, influenciadores digitais relataram ter sido procurados por intermediários que ofereciam valores elevados — que poderiam chegar a até dois milhões de reais por contratos de três meses — para disseminar nas redes sociais a narrativa de que a liquidação do banco teria ocorrido de forma precipitada e irregular.
O cachê variava conforme o número de seguidores e o alcance de cada perfil, com o objetivo de criar artificialmente um ambiente de apoio popular às críticas dirigidas ao Banco Central do Brasil.
Pressão institucional e o TCU
As campanhas digitais também teriam como pano de fundo a tentativa de pressionar o Tribunal de Contas da União, onde um ministro chegou a cogitar medidas que poderiam suspender ou reverter o processo de liquidação do banco.
O banco em questão foi fechado após a constatação de um rombo estimado em cerca de 12 bilhões de reais, considerado por investigadores como a maior fraude já apurada no sistema financeiro brasileiro.
Descoberta da operação e recuo
De acordo com Malu Gaspar, o ministro do TCU recuou de suas iniciativas após forte pressão interna e, principalmente, depois que a existência da milícia digital começou a vir à tona. A revelação da campanha coordenada foi determinante para o avanço das investigações.
A Polícia Federal agora busca identificar os financiadores da operação, os intermediários envolvidos e se houve tentativa de obstrução ou manipulação do funcionamento de instituições públicas.
Poder, influência e redes sociais
O episódio reacende o debate sobre o uso de estruturas digitais para influenciar decisões de Estado, atacar jornalistas e criar artificialmente consensos políticos. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a profissionalização dessas estratégias representa um risco crescente para a transparência institucional e o debate democrático.
O Observatório Mundial continuará acompanhando os desdobramentos do caso, à medida que novas informações forem oficialmente confirmadas pelas autoridades e pela imprensa.