A conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez encerraram as suas campanhas presidenciais na quinta-feira, perante milhares de apoiantes, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais peruanas, agendado para domingo, 7 de junho. A disputa decorre num Peru assolado pela criminalidade e pela instabilidade política crónica.
Dois Projetos Opostos para o Peru
Fujimori, administradora de empresas de 51 anos que disputa a presidência pela quarta vez consecutiva, prometeu firmeza contra a insegurança. "Queremos um governo que nos traga paz, que restaure a ordem! Não vos vou decepcionar", declarou perante os seus apoiantes. A candidata do partido Fuerza Popular defende uma agenda de mão pesada contra o crime, incluindo o uso de juízes encobertos e o controlo militar das prisões.
Sánchez, de 57 anos e antigo ministro do ex-presidente Pedro Castillo — atualmente preso —, prometeu "democracia" e "o fim do caos". O candidato de Juntos por el Perú propõe a reescrita da Constituição de 1993, a implementação de uma fiscalidade progressiva e a renegociação de contratos no setor mineiro para aumentar as receitas do Estado.
Crise de Segurança no Centro do Debate
A questão da criminalidade domina a campanha. Lima registou 23 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, o triplo da taxa de cinco anos antes. Fujimori acusa a esquerda de cumplicidade com o crime organizado, enquanto Sánchez aponta a corrupção como a raiz do problema. "Vamos propor a 'morte civil' para os corruptos", afirmou, referindo-se a um plano para proibir permanentemente criminosos de exercer cargos públicos.
Eleição Incerta num País Fragmentado
As sondagens mais recentes colocam os dois candidatos em empate técnico, com cerca de 20% do eleitorado ainda indeciso. O primeiro turno, realizado em abril com 30 candidatos, refletiu a profunda frustração com a classe política: Fujimori e Sánchez obtiveram juntos menos de 30% dos votos.
O Peru atravessa uma fase de instabilidade política sem precedentes, tendo tido vários presidentes na última década. O próximo chefe de Estado herdará um Congresso fragmentado e uma população profundamente desconfiante das instituições. Cerca de 27 milhões de peruanos estão convocados a votar num país onde o sufrágio é obrigatório.


