A artista e escritora franco-iraniana Marjane Satrapi faleceu esta quinta-feira, aos 56 anos de idade. Satrapi era mundialmente conhecida pela sua obra autobiográfica Persépolis, uma novela gráfica que retrata a sua infância e adolescência no Irão durante e após a Revolução Islâmica de 1979.
Uma voz incontornável da literatura gráfica
Nascida em 1969 em Rasht, no norte do Irão, Marjane Satrapi cresceu numa família de intelectuais progressistas e viveu na pele as transformações radicais que a Revolução Islâmica impôs à sociedade iraniana. Após estudar em Viena e em Estrasburgo, fixou-se em Paris, onde desenvolveu a sua carreira artística.
Persépolis, publicado originalmente em França entre 2000 e 2003, tornou-se um fenómeno editorial mundial, sendo traduzido para dezenas de línguas e adaptado ao cinema em 2007. O filme de animação, co-realizado pela própria Satrapi e por Vincent Paronnaud, foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes e venceu o Prémio do Júri.
Legado artístico e político
Para além de Persépolis, Satrapi publicou outras obras de banda desenhada, como Bordados e Frango com Ameixas, e realizou vários filmes de longa-metragem, incluindo The Voices (2014), com Ryan Reynolds.
A sua obra é reconhecida não apenas pelo seu valor artístico, mas também pelo seu contributo para a compreensão ocidental da cultura iraniana e pela sua crítica ao fundamentalismo religioso e ao autoritarismo político. Satrapi foi uma defensora intransigente dos direitos das mulheres e da liberdade de expressão, causas que defendeu publicamente ao longo de toda a sua vida.
A notícia da sua morte provocou uma onda de tributos em todo o mundo, com escritores, artistas e figuras políticas a lamentarem a perda de uma voz única e corajosa na cultura contemporânea.
Reacções internacionais
O mundo das artes e da literatura reagiu com profunda consternação ao desaparecimento de Satrapi. Numerosas personalidades do mundo cultural francês e internacional prestaram homenagem à artista, sublinhando o impacto duradouro da sua obra na forma como o Ocidente compreende o Irão e as suas gentes.


