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Morre Marjane Satrapi, autora de 'Persépolis', aos 56 anos

A escritora e artista franco-iraniana Marjane Satrapi, autora da aclamada novela gráfica 'Persépolis', morreu esta quinta-feira aos 56 anos. A sua obra autobiográfica, adaptada ao cinema em 2007, tornou-se um marco da literatura gráfica mundial.

Redação Observatório Mundial
4 de junho de 2026 às 09:03
França
Morre Marjane Satrapi, autora de 'Persépolis', aos 56 anos

A artista e escritora franco-iraniana Marjane Satrapi faleceu esta quinta-feira, aos 56 anos de idade. Satrapi era mundialmente conhecida pela sua obra autobiográfica Persépolis, uma novela gráfica que retrata a sua infância e adolescência no Irão durante e após a Revolução Islâmica de 1979.

Uma voz incontornável da literatura gráfica

Nascida em 1969 em Rasht, no norte do Irão, Marjane Satrapi cresceu numa família de intelectuais progressistas e viveu na pele as transformações radicais que a Revolução Islâmica impôs à sociedade iraniana. Após estudar em Viena e em Estrasburgo, fixou-se em Paris, onde desenvolveu a sua carreira artística.

Persépolis, publicado originalmente em França entre 2000 e 2003, tornou-se um fenómeno editorial mundial, sendo traduzido para dezenas de línguas e adaptado ao cinema em 2007. O filme de animação, co-realizado pela própria Satrapi e por Vincent Paronnaud, foi nomeado para a Palma de Ouro no Festival de Cannes e venceu o Prémio do Júri.

Legado artístico e político

Para além de Persépolis, Satrapi publicou outras obras de banda desenhada, como Bordados e Frango com Ameixas, e realizou vários filmes de longa-metragem, incluindo The Voices (2014), com Ryan Reynolds.

A sua obra é reconhecida não apenas pelo seu valor artístico, mas também pelo seu contributo para a compreensão ocidental da cultura iraniana e pela sua crítica ao fundamentalismo religioso e ao autoritarismo político. Satrapi foi uma defensora intransigente dos direitos das mulheres e da liberdade de expressão, causas que defendeu publicamente ao longo de toda a sua vida.

A notícia da sua morte provocou uma onda de tributos em todo o mundo, com escritores, artistas e figuras políticas a lamentarem a perda de uma voz única e corajosa na cultura contemporânea.

Reacções internacionais

O mundo das artes e da literatura reagiu com profunda consternação ao desaparecimento de Satrapi. Numerosas personalidades do mundo cultural francês e internacional prestaram homenagem à artista, sublinhando o impacto duradouro da sua obra na forma como o Ocidente compreende o Irão e as suas gentes.

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