MINAS GERAIS CONCENTRA MAIOR NÚMERO DE PONTOS VULNERÁVEIS À EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTIL NAS RODOVIAS FEDERAIS
Dados ampliam alerta e coincidem com debate nacional sobre responsabilização institucional e proteção de menores

Por
Lucas Gomes
Um levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) colocou Minas Gerais no centro de um dos debates mais sensíveis da agenda pública: a proteção de crianças e adolescentes contra a exploração sexual. O estudo identificou 3.581 pontos de vulnerabilidade nas rodovias federais que atravessam o estado, o equivalente a um ponto de risco a cada 2,37 quilómetros — quase o dobro da média nacional, que é de um a cada 4,20 quilómetros.
O mapeamento considera fatores como grande circulação de veículos, presença de áreas de parada de caminhoneiros, trechos com baixa fiscalização e histórico de ocorrências. Postos de combustível, restaurantes de estrada e zonas periféricas aparecem entre os principais locais classificados como críticos.
Os números reforçam o alerta de especialistas que apontam a exploração sexual infantil como um fenómeno estrutural, que exige resposta integrada entre segurança pública, sistema de justiça e políticas sociais permanentes.
O debate ganhou nova dimensão após a confirmação de que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais abriu procedimento de apuração contra o desembargador Magid Nauef Láuar, após denúncia de um homem que afirma ter sido vítima de uma tentativa de abuso sexual quando tinha 14 anos. A informação foi divulgada pela CNN Brasil. O tribunal informou que a apuração corre sob sigilo e segue os trâmites legais previstos para casos envolvendo membros do Judiciário.
A abertura do procedimento não representa conclusão sobre os fatos, mas acrescenta pressão pública por investigações rigorosas e transparência institucional em casos relacionados à violência contra menores.
Para especialistas em proteção da infância, a coincidência entre os dados alarmantes das rodovias e o surgimento de denúncias que exigem apuração reforça a necessidade de políticas públicas contínuas, fiscalização permanente e responsabilização efetiva de crimes dessa natureza.
Organizações de defesa dos direitos da criança defendem que o mapeamento da PRF deve servir como base para ações coordenadas de prevenção, monitorização e proteção das vítimas, de modo a interromper ciclos de violência que permanecem invisíveis em grande parte do território brasileiro.

