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JUSTIÇA

Julgamento do Caso Henry Borel: Defesas Alegam Manipulação de Provas e Projecto de Vingança

As defesas de Monique Medeiros e do ex-vereador Jairinho apresentaram as alegações finais no julgamento pelo homicídio de Henry Borel, contestando as provas e acusando o pai da criança de ter orquestrado um projecto de vingança. O julgamento entra na fase de réplica antes da deliberação do conselho de sentença.

Redação Observatório Mundial
4 de junho de 2026 às 02:34
Brasil
Julgamento do Caso Henry Borel: Defesas Alegam Manipulação de Provas e Projecto de Vingança

As defesas de Monique Medeiros e do ex-vereador Jairinho iniciaram as alegações finais no julgamento pelo homicídio do menino Henry Borel, morto em 2021 no Rio de Janeiro. Os advogados contestaram as provas apresentadas pela acusação e levantaram suspeitas sobre a conduta do pai da criança, Leniel Borel, acusando-o de ter orquestrado um "projecto de vingança" contra os réus.

Defesa de Monique: Ciclo de Violência e Manipulação

A advogada Florence Rosa, defensora de Monique Medeiros, centrou a sua argumentação na contestação das provas e nas críticas à actuação da babá Thayná. Segundo a defesa, Monique vivia num ciclo de violência doméstica e era manipulada por Jairinho, que a instruía a manter uma imagem de "família normal" perante as autoridades. A advogada apresentou mensagens da babá que, segundo alega, mostram que esta ria do choro de Henry, questionando a credibilidade da testemunha.

Florence Rosa criticou ainda o que classificou como uma "dupla vara moral" aplicada ao caso, argumentando que o comportamento de Leniel Borel não foi escrutinado com o mesmo rigor que o da sua cliente.

Defesa de Jairinho: Acusação de Vingança Pessoal

O advogado Zanone Júnior, defensor de Jairinho, argumentou que o ex-vereador é alvo de um "projecto de vingança" de Leniel Borel. Segundo Zanone, Leniel terá omitido um suposto acidente de automóvel sofrido por Henry no fim-de-semana anterior à sua morte, comprovado por pesquisas realizadas pelo pai numa farmácia. "Ele entregou uma bomba-relógio para Jairinho e Monique", afirmou o advogado, sugerindo que a criança já apresentaria hemorragia interna quando foi entregue.

Os peritos descartaram esta possibilidade, o que Zanone classificou como "suposição". A defesa de Jairinho apresentou ainda conversas entre Leniel e a então advogada da família, Gabriela Graça, alegando que a directora do IML (Instituto Médico Legal) foi contactada para elaborar laudos que pudessem incriminar o réu.

Próximas Etapas do Julgamento

Jairinho responde pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. O julgamento entra agora na fase de réplica das alegações, após a qual o conselho de sentença deliberará sobre o veredicto. O caso gerou enorme comoção no Brasil desde 2021, quando Henry Borel, de quatro anos, morreu após agressões no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

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