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Jovens europeus trocam ecrãs por encontros presenciais no movimento 'offline' que cresce nas universidades

Um movimento crescente de jovens universitários na Europa e nos Estados Unidos está a promover eventos e espaços livres de telemóveis, em busca de conexões humanas genuínas. O Offline Club, nascido em Amesterdão, já está presente em Lisboa, Paris, Londres, Madrid e Milão.

Redação Observatório Mundial
4 de julho de 2026 às 01:43
Internacional
Jovens europeus trocam ecrãs por encontros presenciais no movimento 'offline' que cresce nas universidades

Numa era dominada pelos ecrãs e pelas redes sociais, um movimento inesperado está a ganhar força entre os jovens europeus e norte-americanos: a desconexão digital voluntária. Cada vez mais universitários estão a trocar os telemóveis por encontros presenciais, numa tendência que começa a ser levada a sério também pelo mundo empresarial.

O Offline Club chega à Europa

O movimento tem dois grandes protagonistas. Nos Estados Unidos, o Reconnect, fundado por Seán Killingsworth na Flórida, organiza eventos «phone-free» em universidades, criando espaços onde os jovens podem experimentar a desaceleração, a contemplação e a concentração no momento presente. Na Europa, o Offline Club, nascido entre universitários de Amesterdão, já está presente em várias cidades, incluindo Lisboa, Paris, Viena, Londres, Madrid, Milão e Zurique.

Os eventos são variados: caminhadas, lançamentos de livros, oficinas de artes e até fins de semana em hotéis bucólicos, todos com uma regra comum — os telemóveis ficam guardados. Os convites apelam à «calma da natureza» e ao «espaço para os pensamentos seguirem o seu próprio ritmo».

Mais do que uma moda

Seria fácil — e errado — classificar estes movimentos como uma tendência alternativa ou marginal. A capacidade de se desconectar digitalmente começa a ser vista como um ativo no mercado de trabalho, numa época em que o número de seguidores nas redes sociais pode definir contratações e remunerações.

Empresas já procuram estes movimentos para organizar encontros de liderança, reuniões de equipa e lançamentos de produtos, com o objetivo declarado de «proporcionar mais conexão entre os funcionários» e de os «levar a pensar fora da caixa».

A geração que cresceu nas telas

Não é por acaso que estes movimentos estão a brotar nas universidades. Os jovens que hoje chegam ao ensino superior são a primeira geração que viveu toda a infância e adolescência dominada pelos telemóveis. Muitos sentem na pele a dificuldade de se concentrar em textos complexos e de desenvolver uma formação consistente.

Como observou a jornalista Laura Mattos na Folha de S.Paulo, «o funil das melhores universidades acaba por selecionar quem é capaz de deixar o telemóvel de lado». Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, onde a tecnologia reduz postos de trabalho, a capacidade de concentração e o equilíbrio emocional podem ser os ativos mais valiosos de uma geração.

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