Portugal viveu esta quarta-feira a segunda greve geral em seis meses, com os principais sindicatos do país a mobilizarem trabalhadores de múltiplos sectores em protesto contra os planos de reforma laboral do governo. A paralisação afectou os transportes ferroviários, o sector da aviação e as escolas públicas em todo o território nacional.
Transportes e Aviação em Colapso
Os comboios da CP — Comboios de Portugal registaram uma adesão massiva à greve, com a maioria das ligações interurbanas e suburbanas canceladas ou com serviços mínimos muito reduzidos. Nas principais estações do país, nomeadamente em Lisboa e no Porto, centenas de passageiros aguardavam informações sobre alternativas de transporte.
No sector da aviação, o aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e o aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, registaram o cancelamento de centenas de voos, afectando dezenas de milhares de passageiros. A TAP Air Portugal e outras companhias aéreas emitiram alertas e disponibilizaram opções de remarcação sem custos adicionais.
Escolas Fechadas em Todo o País
O sector da educação foi igualmente afectado, com a maioria das escolas públicas a encerrar as suas portas. Os pais foram alertados com antecedência para a necessidade de encontrarem alternativas para os seus filhos, mas muitos foram apanhados de surpresa pela extensão da paralisação.
Motivos da Contestação
Os sindicatos contestam as propostas do governo para a reforma do Código do Trabalho, que incluem medidas como a flexibilização dos horários de trabalho, alterações nas regras de despedimento e mudanças no regime de horas extraordinárias. As centrais sindicais CGTP e UGT, que raramente actuam em conjunto, uniram-se nesta greve, o que demonstra a amplitude da contestação.
O secretário-geral da CGTP afirmou que 'os trabalhadores portugueses não aceitarão uma reforma que precariza os seus direitos e beneficia apenas os empregadores'. A UGT, por sua vez, exigiu uma renegociação das propostas antes de qualquer aprovação parlamentar.
Resposta do Governo
O governo português, liderado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, reconheceu o impacto da greve mas defendeu a necessidade das reformas para modernizar o mercado de trabalho e aumentar a competitividade da economia portuguesa. O executivo comprometeu-se a retomar o diálogo social nas próximas semanas.


