No início de 2026, uma série de mensagens de WhatsApp atribuídas a Raphael Montenegro, ex-secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP-RJ), veio à tona revelando perseguições sistemáticas contra seus desafetos políticos e pessoais. Em conversa datada de 2 de janeiro, Montenegro afirma abertamente: "Eu? Estou pegando um por um, um... Anderson Torres, Ramagem, etc... Os outros já estão na mira! 2025 foi incrível e 2026 será ainda mais!"
A autenticidade das mensagens foi confirmada por perícia técnica forense, com hash SHA-256: f032c45f87809ccf7f8aecd6f61c6c0799ed23e54a4f6bbe4b7b2b1f3535f77b, atestando sua integridade e origem. O teor das conversas deixa claro um padrão de retaliação planejada, com Montenegro assumindo posição de poder e controle sobre indivíduos e instituições.
Ameaças explícitas e aviso de prazo
Em uma troca especialmente grave, Montenegro ameaça: "Até março seus donos estarão na lista tb, pode avisar..." sugerindo uma escalada de perseguição com prazo definido. Antes, ele escreve: "Aproveita que estou bonzinho, mandado recado pelo cachorrinho deles", demonstrando desprezo e dominância sobre seus alvos.
Relação familiar e influência política
Montenegro menciona Maria Rosa Lo Duca Nebel, atual secretária da SEAP-RJ, como "sua tia". Ele a pressiona: "Por fim, avisa a sua tia que o cerco está fechando, ao invés de atiçar os inimigos que estão quietos, deveria ela buscar aliados, até pq dar medalha para desembargador (investigado) aposentado não vai salvar a pele dela." Essa referência sugere que Montenegro utiliza seu vínculo familiar para influenciar decisões e blindar suas operações dentro da Secretaria.
Conhecimento de informações sob sigilo judicial
O aspecto mais preocupante é o acesso de Montenegro a dados protegidos por segredo de justiça. Ele faz menção a detalhes da morte de um familiar próximo à vítima, fato não divulgado publicamente: "Vc perdeu um filho e ainda se presta a ser fantoche de corrupto…. Depois não reclama da vida!". Questionado sobre a origem da informação, a vítima assegura: "Não contei pra ninguém sobre a morte dele". Montenegro evita negar, respondendo com ameaça velada: "Não é à toa que Deus te faz passar por certas situações de dor!"
Monitoramento e retaliação
O ex-secretário deixa claro que realiza vigilância ativa sobre a vítima, que relata ter sido alvo de grampos em telefone e carro: "Grampear meu tel. Botar grampo no meu carro com escuta e achava que eu não sabia. Usaram processo zumbi pra vigilância". Montenegro responde: "Mas é sempre bom saber que vcs ainda têm medo de mim…"
Ele também avisa que investigações continuarão a ser respondidas com retaliação: "Essa denúncia era tão ridícula que foi rejeitada e nem o MP teve a audácia de recorrer, até pq o recado foi dado: se insistir nesse assunto eu começo a dar nome aos bois e o buraco vai ser mais embaixo!" (uma ameaça direto ao MPERJ)
Histórico e denúncias anteriores
Raphael Montenegro foi denunciado em 2024 pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por facilitar a saída irregular do traficante Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o "Abelha", e suposta negociação com integrantes do Comando Vermelho. Apesar disso, foi nomeado assessor parlamentar na Alerj em 2025, mantendo acesso a estruturas políticas.
Investigação em curso e suspeitas de rede criminosa
O Ministério Público Federal instaurou procedimento para apurar o possível envolvimento de Montenegro na morte do familiar da vítima, o uso indevido de informações sigilosas, monitoramento ilegal e a rede de proteção formada por autoridades, incluindo subordinados da secretária Maria Rosa Lo Duca Nebel. Questiona-se o grau de conhecimento e uso estrutura da SEAP-RJ para fins de perseguição.
Silêncio das autoridades
Tentativas de contato com Raphael Montenegro e Maria Rosa Lo Duca Nebel não obtiveram resposta. O Ministério Público do Rio de Janeiro confirmou que não comenta investigações em andamento.
Reflexão final: O poder na mais alta prateleira da República
Este caso expõe como indivíduos denunciados por corrupção e suspeitos de crimes graves continuam a operar dentro do Estado, utilizando informações sigilosas para ameaçar e perseguir adversários. A intimidação política e o uso da máquina pública para coação refletem um padrão de impunidade preocupante quando se trata de pessoas ligadas ao judiciário.
