Um tribunal holandês condenou três homens a 47 meses de prisão cada um pelo roubo do capacete dourado de Coțofenești, uma peça arqueológica romena com cerca de 2.500 anos de antiguidade, que havia sido furtada do Museu Drents, em Assen, nos Países Baixos.
O Crime e a Recuperação das Peças
O assalto ocorreu há mais de um ano, quando um grupo armado utilizou explosivos para forçar a entrada no museu e subtraiu o capacete, datado de aproximadamente 450 a.C., juntamente com três pulseiras de ouro. O furto gerou indignação na Roménia e levantou sérias questões sobre a segurança de artefactos emprestados a instituições estrangeiras.
Em abril deste ano, as autoridades neerlandesas anunciaram a recuperação do capacete e de duas das três pulseiras, após negociações com dois dos suspeitos. A terceira pulseira permanece desaparecida e as buscas continuam.
Os Arguidos e as Penas
Os três homens foram detidos poucos dias após o assalto, mas os objectos já não se encontravam na sua posse. O Ministério Público chegou a acordo de colaboração com dois dos suspeitos — identificados como Jan B., de 21 anos, e Douglas Chesley W., de 37 anos — em troca da devolução dos bens roubados. Para estes dois, a acusação havia solicitado uma pena de 44 meses.
O terceiro arguido, Bernhard Z., de 35 anos, recusou qualquer acordo com as autoridades, tendo o Ministério Público pedido uma pena de 66 meses para ele. Contudo, o tribunal de Assen optou por aplicar a mesma pena de 47 meses aos três condenados.
Decisão do Tribunal
«Tendo em conta a natureza e a gravidade dos crimes, apenas uma pena de prisão substancial será adequada», declarou o tribunal. O processo de negociação com os dois suspeitos foi descrito pelos procuradores como «longo, intensivo e complexo».
Impacto Diplomático e Cultural
As peças estavam emprestadas pelo Museu Nacional de História da Roménia para uma exposição sobre a civilização dácia, povo que habitou o território da actual Roménia antes da conquista romana em 106 d.C. O furto desencadeou uma disputa diplomática entre os dois países, tendo o governo neerlandês pago uma indemnização de seguro de cerca de 5,7 milhões de euros à Roménia.
O antigo director do museu nacional de história em Bucareste, Ernest Oberländer-Târnoveanu, foi alvo de fortes críticas internas por ter autorizado o empréstimo das peças ao estrangeiro, acabando por perder o cargo poucos dias após o roubo. Especialistas em arte sugeriram que o capacete e as pulseiras terão sido roubados por encomenda de um grupo criminoso organizado.
Aquando da devolução das peças, o procurador romeno Rareș-Petru Stan elogiou os seus colegas neerlandeses pelo «trabalho árduo e pela perseverança», acrescentando que as investigações para encontrar a última pulseira prosseguem.


