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POLÍTICA

Estudo revela que incivilidade no Parlamento português mais do que duplicou desde a entrada do Chega

Uma investigação do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra concluiu que os episódios de incivilidade na Assembleia da República portuguesa mais do que duplicaram desde a entrada do partido Chega. O partido é responsável por mais de um terço de todos os casos registados entre 2020 e 2025.

Redação Observatório Mundial
2 de julho de 2026 às 23:56
Portugal
Estudo revela que incivilidade no Parlamento português mais do que duplicou desde a entrada do Chega

Um estudo do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra revelou que os episódios de incivilidade na Assembleia da República portuguesa mais do que duplicaram desde a entrada do partido Chega no parlamento. A investigação, liderada pelo investigador Manuel João Cruz, analisou mais de 2.000 interacções e 50 horas de debates parlamentares entre 2015 e 2025.

Da incivilidade como fenómeno estrutural

Os dados recolhidos mostram que a frequência de episódios de incivilidade — definidos como interrupções, desrespeito intencional, obscenidades, ridicularização e agitação deliberada — passou de uma ocorrência a cada dois minutos para uma ocorrência por minuto após a entrada do Chega na Assembleia da República. Entre 2020 e 2025, o partido é responsável por mais de um terço de todos os casos registados.

Os deputados com maiores índices de incivilidade

A análise dos últimos 50 anos do parlamento português identificou vários deputados do Chega entre os que apresentam os maiores índices de comportamento incivil. Pedro Frazão e Filipe Melo lideram a lista, com 7,7% das suas intervenções classificadas como incivilidade, seguidos de Pedro Pinto, com 7,2%. A linguagem utilizada inclui insultos como "palhaço", "aberração" e "anormal", bem como comentários depreciativos dirigidos a colegas parlamentares.

Impacto nos funcionários do parlamento

O fenómeno não se limita às relações entre deputados. Em Novembro de 2025, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais apresentou uma queixa formal ao Secretário-Geral da Assembleia da República, alegando que o comportamento de deputados do Chega afecta negativamente a dignidade, a saúde mental e a auto-estima dos funcionários parlamentares.

Propostas de reforma

O investigador Manuel João Cruz considera que os mecanismos parlamentares actuais são insuficientes para travar este fenómeno e propõe medidas como a imposição de penalizações no tempo de uso da palavra aos partidos que registem infracções recorrentes. O estudo sublinha que o comportamento disruptivo e as interrupções constantes se tornaram um elemento estrutural da identidade do Chega no parlamento, distinguindo-o dos restantes partidos, que não registaram um aumento significativo deste tipo de comportamento.

A investigação levanta questões sobre a saúde democrática das instituições portuguesas e sobre a capacidade do parlamento para se adaptar a novos actores políticos que desafiam as normas de convivência estabelecidas.

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