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Biquíni celebra 80 anos: da piscina Molitor às praias do mundo

A 5 de julho de 1946, o engenheiro francês Louis Réard apresentou o biquíni numa piscina parisiense, desencadeando uma revolução na moda e na cultura. Oito décadas depois, a peça continua a ser símbolo de emancipação feminina e de transformação social.

Redação Observatório Mundial
5 de julho de 2026 às 16:04
França
Biquíni celebra 80 anos: da piscina Molitor às praias do mundo

Foi à beira de uma piscina parisiense, diante da elite da capital francesa, que nasceu uma das maiores revoluções do vestuário feminino. A 5 de julho de 1946, Micheline Bernardini, dançarina do Cassino de Paris, apresentou ao público o primeiro biquíni da história durante um desfile na lendária piscina Molitor. Com apenas alguns triângulos de tecido e uma ousadia sem precedentes, a criação do engenheiro Louis Réard prometia mudar para sempre a relação das mulheres com a moda praia e com os seus próprios corpos.

Uma revolução recebida com escândalo

A recepção, no entanto, estava longe de ser calorosa. Numa França ainda marcada pelas cicatrizes da Segunda Guerra Mundial, mostrar o umbigo em público era considerado uma afronta. A imprensa reagiu com desconfiança, quando não com indignação, e a peça foi alvo de críticas de jornalistas, líderes religiosos e sectores conservadores da sociedade. O escândalo foi de tal ordem que o biquíni demorou anos a conquistar as praias do mundo, chegando a ser oficialmente proibido em países como a Itália, a Espanha e a Bélgica, sob forte pressão da Igreja Católica.

O nome escolhido por Réard remetia ao atol de Bikini, palco de testes nucleares americanos naquele mesmo ano. Visionário do marketing muito antes de esse termo existir, o criador chegou a cunhar um slogan audacioso: «biquíni: uma bomba atómica».

O cinema como motor de popularização

A popularização da peça contou com a ajuda decisiva do cinema e das celebridades. Quando Brigitte Bardot foi fotografada em Cannes, em 1953, com um biquíni, a repercussão foi enorme. Três anos depois, voltou a surgir com um maiô de duas peças no filme E Deus Criou a Mulher, transformando-se em estrela internacional e tornando o biquíni numa peça imediatamente desejada. Marilyn Monroe, Ava Gardner e Elizabeth Taylor contribuíram igualmente para a construção do mito.

Em 1960, a peça de vestuário tornou-se mesmo um êxito musical com a canção Itsy Bitsy Teeny Weeny Yellow Polkadot Bikini, interpretada por Brian Hyland, que atravessou fronteiras e culturas.

Oito décadas de transformação cultural

Ao longo de oito décadas, o biquíni foi muito mais do que uma peça de roupa: tornou-se um espelho das transformações sociais e culturais de cada época. Das praias de Saint-Tropez às de Ipanema, do cinema de Hollywood às passarelas de moda, a peça criada em Paris continua a reinventar-se, mantendo o seu estatuto de símbolo de liberdade e emancipação feminina que atravessa gerações e continentes.

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