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Teste revela falha em urna eletrônica sem voto impresso e reacende debate sobre auditoria eleitoral

Após uma apresentação pública conduzida pelo professor de Ciência da Computação da Universidade de Michigan, J. Alex Halderman. Durante a demonstração, três voluntários votaram no mesmo candidato em uma urna eletrônica.

Redação
17 de fevereiro de 2026 às 22:37
Internacional
Teste revela falha em urna eletrônica sem voto impresso e reacende debate sobre auditoria eleitoral

Uma demonstração pública realizada por especialistas em segurança digital voltou a colocar no centro das discussões a confiabilidade de urnas eletrônicas que não possuem registro físico dos votos. O experimento, conduzido pelo professor de Ciência da Computação da Universidade de Michigan, J. Alex Halderman, mostrou como resultados eleitorais podem ser alterados sem que os eleitores percebam qualquer irregularidade durante a votação.

Na apresentação, três voluntários participaram de uma simulação eleitoral e votaram no mesmo candidato. No entanto, ao final do processo, o relatório impresso pela máquina indicou vitória do candidato adversário por dois votos a um. A discrepância não ocorreu por erro humano: o cartão de memória da urna havia sido previamente infectado com um software capaz de manipular o resultado da votação.

Segundo Halderman, o teste teve como objetivo demonstrar, de forma prática, um risco que há anos preocupa especialistas em segurança cibernética. Em sistemas totalmente digitais, ataques podem ser executados de maneira silenciosa, sem deixar vestígios visíveis para eleitores ou mesários. Nesse tipo de cenário, a fraude pode ocorrer sem alterar a experiência do voto, tornando a detecção extremamente difícil.

A repercussão da demonstração provocou mudança de posicionamento na empresa Systems & Software, tradicional fornecedora de equipamentos eleitorais. Até então defensora de urnas eletrônicas sem registro físico, a companhia anunciou que deixará de comercializar equipamentos que não emitam comprovantes em papel.

Em comunicado oficial, o presidente da empresa, Tom Burt, afirmou que o voto impresso representa uma camada adicional de segurança. Segundo ele, os comprovantes físicos funcionam como um mecanismo independente de verificação, capaz de prevenir erros técnicos e dificultar tentativas de adulteração por hackers.

Especialistas destacam que o voto impresso não substitui a tecnologia digital, mas complementa o sistema. Em caso de suspeitas ou contestações, os registros físicos permitem recontagens manuais e auditorias independentes, fortalecendo a confiança pública no processo eleitoral.

O episódio reacende um debate global sobre a segurança de eleições em um contexto de crescente sofisticação dos ataques cibernéticos. Para pesquisadores da área, a discussão deixou de girar em torno da possibilidade de invasões e passou a focar na capacidade de prevenção, auditoria e transparência dos sistemas de votação.

A tendência internacional aponta para modelos híbridos, que combinam a rapidez das urnas eletrônicas com a verificação independente proporcionada pelo registro físico dos votos. Nesse cenário, a confiança no processo democrático passa a depender não apenas da tecnologia utilizada, mas da capacidade de comprovar que cada voto foi registrado e contabilizado corretamente.

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