A Rússia intensificou significativamente a pressão sobre a Arménia nos dias que antecedem as eleições parlamentares de domingo, num esforço para dissuadir o país de prosseguir com as suas ambições de adesão à União Europeia. Moscovo recorreu a uma série de instrumentos económicos e diplomáticos para demonstrar o seu desagrado face à reorientação geopolítica de Erevan.
Ameaças económicas de Moscovo
Entre as medidas anunciadas pela Rússia, destaca-se a ameaça de aumento dos preços do gás natural fornecido à Arménia, bem como a possibilidade de restrições às importações russas de determinados produtos arménios. Moscovo alertou ainda que poderá suspender a Arménia da União Económica Eurasiática, organização regional que agrupa vários países da antiga esfera soviética.
Estas ameaças surgem num momento particularmente sensível para a Arménia, que tem vindo a aproximar-se progressivamente da União Europeia nos últimos anos, após décadas de estreita dependência de Moscovo em matéria de segurança e energia.
Contexto geopolítico
A relação entre a Rússia e a Arménia deteriorou-se consideravelmente desde o conflito de Nagorno-Karabakh, em 2023, durante o qual Moscovo não interveio militarmente em defesa de Erevan, apesar dos acordos de segurança existentes. Este episódio levou o governo arménio, liderado pelo primeiro-ministro Nikol Pashinyan, a questionar abertamente a fiabilidade da Rússia como parceiro estratégico.
Desde então, a Arménia tem diversificado as suas parcerias internacionais, aproximando-se da União Europeia e dos Estados Unidos, e reduzindo gradualmente a sua dependência das estruturas de segurança lideradas por Moscovo, como a Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC).
Eleições decisivas
As eleições parlamentares de domingo são consideradas um teste crucial à orientação geopolítica do país. Os partidos pró-europeus, liderados pelo movimento de Pashinyan, enfrentam a oposição de forças políticas mais próximas de Moscovo, que defendem a manutenção dos laços tradicionais com a Rússia.
Observadores internacionais e analistas políticos acompanham com atenção o escrutínio, que poderá determinar a trajectória da Arménia nas próximas décadas — se em direcção à integração europeia ou de regresso à órbita russa.
A União Europeia e os Estados Unidos manifestaram o seu apoio à soberania arménia e ao direito do país de escolher livremente as suas alianças internacionais, condenando as pressões exercidas por Moscovo como uma interferência inaceitável nos assuntos internos de um Estado soberano.


