O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou esta quinta-feira os Estados Unidos de se aliarem com «narcotraficantes» no seu país, após o presidente Donald Trump ter declarado apoio ao advogado milionário Abelardo de la Espriella, candidato de extrema-direita que liderou o primeiro turno das eleições presidenciais colombianas no passado domingo.
Acusações Diretas a Washington
Em entrevista à agência AFP no palácio presidencial, Petro afirmou que os «aliados» do governo norte-americano na Colômbia «vêm da governança narco-paramilitar; são genocidas e narcotraficantes», acrescentando que esteve «prestes a morrer assassinado várias vezes» devido a uma perseguição contra a esquerda. «Lamento que figuras e governos que querem lutar contra o narcotráfico estejam ajudando a, precisamente, levar o poder político na Colômbia ao crime», declarou o primeiro presidente esquerdista do país.
De la Espriella, de 47 anos, acumulou uma grande fortuna após representar durante anos figuras como paramilitares narcotraficantes, fraudadores e estrelas do futebol. O candidato apresenta-se como um empresário de sucesso e, após o apoio de Trump, prometeu relacionar-se com Washington «como nunca antes» caso seja eleito presidente.
Uma Relação Historicamente Tensa
A relação entre os Estados Unidos e a Colômbia deteriorou-se significativamente durante o governo Petro, que enfrentou Trump nas redes sociais em diversas ocasiões. O presidente norte-americano chegou a chamar Petro de «líder do narcotráfico» e impôs sanções financeiras contra ele, em meio ao aumento da violência no país, o maior produtor mundial de cocaína.
«Estão a implementar uma política ideológica que divide o mundo entre aqueles que pensam como eles e aqueles que não», sublinhou Petro, enquanto consumia chocolate produzido por camponeses que trocaram a coca pelo cacau — uma imagem simbólica da sua política de substituição de cultivos.
Segundo Turno a 21 de Junho
Os colombianos terão de escolher a 21 de junho entre a continuação da «paz total» de Petro — política com a qual o presidente tentou negociar o desarmamento de todos os grupos armados — e a «linha dura» de De la Espriella, que propõe megaprisões e bombardeamentos. O candidato do partido de Petro, o senador Iván Cepeda, classificou o apoio de Trump como tendo um «tom intervencionista». Petro aproveitou ainda a entrevista para se distanciar do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmando que se afastou do processo bolivariano ao sentir «uma degradação política».


