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O CRIME ORGANIZADO

Os Arquivos Epstein: Luxo, Crimes e as Sombras no Brasil

A decisão de tornar os arquivos públicos foi uma promessa de campanha de Donald Trump. Politicamente, a medida é vista como uma faca de dois gumes:

Redação
9 de fevereiro de 2026 às 22:24
Internacional
Os Arquivos Epstein: Luxo, Crimes e as Sombras no Brasil

A morte de Jeffrey Epstein em 2019 não encerrou o caso; pelo contrário, abriu caminho para uma das maiores exposições de documentos da história judicial americana. Com milhões de páginas, e-mails e registros de voo vindo a público, o mundo agora entende a extensão da rede que conectava o financista a algumas das pessoas mais poderosas do planeta.

Como funcionava o esquema?

O esquema de Epstein baseava-se em tráfico sexual e chantagem. Ele utilizava sua imensa fortuna para atrair jovens mulheres e adolescentes, muitas vezes sob o pretexto de oferecer carreiras de modelo ou bolsas de estudo.

As vítimas eram levadas para suas residências em Nova York, Palm Beach e, principalmente, para sua ilha particular, Little St. James, nas Ilhas Virgens Americanas. Lá, eram forçadas a realizar atos sexuais com Epstein e seus convidados influentes, criando uma rede de "favores" que garantia ao bilionário proteção e silêncio.

Investigação e prisão

Embora tenha sido investigado pela primeira vez em 2005 na Flórida, Epstein conseguiu um acordo controverso em 2008 que o manteve preso por apenas 13 meses com regalias. O caso foi reaberto em 2019 após novas denúncias e reportagens investigativas. Ele foi preso em julho daquele ano por tráfico sexual, mas foi encontrado morto em sua cela em agosto. Embora as autoridades tenham concluído por suicídio, as falhas de segurança e a quebra das câmeras na noite de sua morte alimentam teorias de conspiração até hoje.

Quais nomes foram revelados?

A divulgação dos documentos trouxe à tona nomes que frequentavam o círculo de Epstein ou viajaram em seu jato particular, o "Lolita Express". Entre os mencionados nos arquivos (o que não significa necessariamente que cometeram crimes, mas que mantinham algum nível de contato) estão:

Políticos: Bill Clinton e o príncipe Andrew (Reino Unido).

Celebridades: Michael Jackson, Mick Jagger, Woody Allen e Naomi Campbell.

Magnatas da Tecnologia: Bill Gates e Elon Musk (que trocou e-mails sobre uma possível visita à ilha, embora negue envolvimento).

O que revelam os novos documentos?

Os arquivos mais recentes, liberados entre o final de 2025 e o início de 2026, mostram que a rede de Epstein era ainda mais estruturada do que se pensava. Eles detalham:

Chantagem Estratégica: E-mails sugerindo que ele coletava informações sensíveis de seus convidados para garantir influência.

Logística Global: Registros detalhados de como recrutadores eram pagos para "caçar" garotas em países em desenvolvimento.

Onde o Brasil aparece?

O Brasil tem um papel sombrio nos novos arquivos. Documentos indicam que Epstein tinha um interesse específico no país para expandir seu esquema:

Agências de Modelos: E-mails de 2016 mostram Epstein discutindo a compra de agências brasileiras (como a Ford Models, que nega qualquer vínculo) para, segundo as conversas, "ter acesso direto a garotas".

Concursos de Beleza: Houve planos de patrocinar concursos no Brasil para recrutar jovens e levá-las aos EUA sob o pretexto de carreira internacional.

Vítimas e Contatos: Os documentos citam figuras como o empresário Eike Batista e menções a políticos como Lula e Bolsonaro (em contextos de conversas de terceiros sobre o cenário brasileiro), além de confirmar o caso de Marina Lacerda, uma brasileira que foi traficada por Epstein no início dos anos 2000.

Por que Trump tornou o caso público?

A decisão de tornar os arquivos públicos foi uma promessa de campanha de Donald Trump. Politicamente, a medida é vista como uma faca de dois gumes:

Arma contra opositores: Trump buscou expor as conexões de figuras democratas, como os Clinton, ao caso.

Pressão Popular: Grande parte de sua base eleitoral exigia transparência total, acreditando que o "Deep State" protegia os envolvidos. No entanto, os documentos também trazem menções ao próprio Trump e sua convivência com Epstein nos anos 90, o que gerou crises internas em sua coalizão.

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