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O CRIME ORGANIZADO

O GRUPO “A TURMA” E O PLANO CONTRA UM JORNALISTA

Mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam discussão sobre agressão contra o colunista Lauro Jardim e levaram à nova prisão determinada pelo STF

Redação
4 de março de 2026 às 19:50
Internacional
O GRUPO “A TURMA” E O PLANO CONTRA UM JORNALISTA

A investigação que levou novamente à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro revelou um conjunto de mensagens que, segundo a Polícia Federal, indicam a existência de um grupo organizado para monitorar e intimidar adversários. O material foi obtido após perícia no celular apreendido do empresário e aparece em decisões judiciais tornadas públicas após a retirada do sigilo do processo.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça.

Segundo os documentos citados na investigação conduzida pela Polícia Federal do Brasil, parte das conversas ocorreu em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”. Ali, de acordo com o relatório policial, teriam sido discutidas ações contra pessoas consideradas adversárias do banqueiro.

Entre os diálogos analisados pelos investigadores aparecem referências a um plano para simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do O Globo. Nas mensagens, segundo o conteúdo descrito nos autos, Vorcaro teria sugerido “dar um pau” no jornalista e “quebrar todos os dentes” durante um assalto encenado.

A hipótese levantada pela investigação é que a agressão serviria como forma de intimidação, funcionando como um recado para “calar a boca da imprensa”.

O grupo secreto

De acordo com a autoridade policial, o grupo chamado “A Turma” funcionaria como uma espécie de núcleo paralelo para obtenção de informações e monitoramento de pessoas. Entre os alvos mencionados estariam jornalistas, ex-funcionários e outras pessoas consideradas adversárias.

As mensagens recuperadas pelos peritos também mencionariam agressões contra uma ex-funcionária da instituição financeira, o que reforçou a suspeita de que o grupo discutia ações de intimidação física.

A frente digital da investigação

Outro ponto considerado grave pelos investigadores é a atuação de um operador ligado ao grupo que teria conseguido acessar sistemas restritos de órgãos públicos utilizando credenciais de terceiros.

Segundo os relatórios da investigação, essas consultas teriam atingido bases utilizadas por órgãos de segurança e cooperação internacional, incluindo sistemas ligados ao Ministério Público e a redes policiais internacionais.

A decisão do Supremo

A nova prisão preventiva de Vorcaro ocorreu durante a terceira fase da investigação. Na decisão, o ministro André Mendonça considerou os indícios reunidos pela Polícia Federal e apontou a existência de elementos que indicariam risco de intimidação de testemunhas e interferência na investigação.

No direito penal brasileiro, a prisão preventiva não significa condenação, mas pode ser decretada quando o juiz entende que há indícios consistentes e risco concreto para a investigação ou para a segurança de terceiros.

O peso das mensagens

Casos como esse mostram como a investigação criminal mudou nos últimos anos. Conversas aparentemente privadas em aplicativos se tornaram uma das principais fontes de prova em operações complexas.

Celulares apreendidos frequentemente guardam registros de mensagens, arquivos e dados que permitem reconstruir relações e decisões tomadas entre investigados. Mesmo conteúdos apagados podem ser recuperados por perícia digital.

No caso que agora chegou ao Supremo, foi justamente essa trilha digital que abriu caminho para uma investigação que envolve poder econômico, suposta intimidação de adversários e acesso a sistemas sensíveis do Estado.

O processo segue em andamento. O material analisado pela Polícia Federal ainda será examinado pelo Ministério Público e pelo Judiciário ao longo das próximas etapas do caso.

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