Sardar Azmoun, o terceiro melhor marcador de sempre da selecção iraniana de futebol, foi excluído da lista de convocados para o Campeonato do Mundo de 2026, numa decisão que gerou enorme controvérsia no Irão e que tem um forte pendor político.
O 'Traidor' que Nunca Calou
A exclusão de Azmoun surge após uma campanha mediática orquestrada por órgãos de comunicação próximos do regime iraniano, que apelidaram o avançado de 'traidor' devido às suas posições públicas em defesa dos direitos humanos e das mulheres iranianas. Em 2022, durante os protestos que se seguiram à morte de Mahsa Amini, Azmoun manifestou solidariedade com o movimento 'Mulher, Vida, Liberdade', o que lhe valeu críticas severas das autoridades.
A notícia da sua exclusão foi recebida como um 'choque' por grande parte dos adeptos iranianos, que viam no avançado uma das maiores esperanças da equipa no torneio que se realiza nos Estados Unidos, Canadá e México.
Contexto Político Tenso
A decisão insere-se num contexto político particularmente delicado para o Irão. O país atravessa um período de grande instabilidade interna, com tensões crescentes entre a população e o regime dos ayatollahs, agravadas pela situação económica e pelas sanções internacionais.
Carreira de Destaque
Azmoun, de 29 anos, conta com mais de 40 golos pela selecção iraniana e joga actualmente no Bayer Leverkusen, na Bundesliga alemã. A sua ausência representa uma perda significativa para a equipa técnica iraniana, que terá de reorganizar o seu esquema ofensivo para o Mundial.
Fontes próximas do jogador indicaram que Azmoun está 'desiludido' com a decisão, mas que não tenciona fazer declarações públicas que possam agravar a situação. O caso levanta questões sobre a interferência política no desporto e a pressão exercida sobre atletas que ousam expressar opiniões divergentes do regime.
Reacção Internacional
Organizações de direitos humanos e vários clubes europeus manifestaram preocupação com a situação, considerando que a exclusão de Azmoun constitui um exemplo claro de instrumentalização política do desporto. A FIFA ainda não se pronunciou sobre o caso.


