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POLÍTICA

Garotinho dispara contra o PL do Rio e mira Flávio Bolsonaro

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, publicou um duro ataque ao PL fluminense e ao senador Flávio Bolsonaro, acusando o governo Cláudio Castro de transformar o estado em uma “máquina de corrupção” e de reproduzir práticas que o bolsonarismo diz combater. As falas reacendem o desgaste do caso Ceperj, pressionam a cúpula do partido a promover uma “faxina” no Rio antes de 2026 e expõem fissuras na direita às vésperas da disputa presidencial.

Redação
25 de fevereiro de 2026 às 12:03
Brasil
Garotinho dispara contra o PL do Rio e mira Flávio Bolsonaro

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho publicou, em fevereiro de 2026, um texto nas redes sociais em que acusa o governador Cláudio Castro (PL) e aliados de transformarem o governo fluminense em uma "máquina de corrupção" e alerta que isso pode atingir o projeto nacional do PL, hoje associado ao senador Flávio Bolsonaro. As declarações expõem o racha na direita fluminense às vésperas da definição das candidaturas de 2026 e recolocam no centro do debate o escândalo do Ceperj, que ainda assombra o Palácio Guanabara.

O ataque público de Anthony Garotinho

Em publicação que circula amplamente em aplicativos de mensagem e redes sociais, Garotinho afirma que Flávio Bolsonaro deveria "voltar a atenção para a situação de seu partido no Rio" e diz que grande parte dos parlamentares do PL fluminense se elegeu sem ideologia, apenas surfando na onda do voto conservador e bolsonarista. Segundo o ex-governador, o atual governo estadual seria dominado pelo que ele chama de "vírus" da corrupção, com casos que, em sua avaliação, seriam piores do que aqueles pelos quais o PT é acusado.

Garotinho reserva as críticas mais duras ao governador Cláudio Castro, a quem acusa de ter montado uma estrutura de poder baseada em loteamento de cargos e esquemas de desvio de recursos. Ele compara o atual governo ao de Sérgio Cabral, condenado por corrupção, e afirma que "a regra no governo estadual é roubar", ecoando acusações já levantadas por investigações sobre o uso político do Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores do Rio de Janeiro (Ceperj).

Ceperj, Cedae e o histórico de denúncias contra o governo Castro

O pano de fundo das declarações de Garotinho é o escândalo envolvendo o Ceperj, que veio à tona em 2022 com suspeitas de "cargos secretos" e pagamentos sem transparência para projetos financiados com recursos da privatização da Cedae. Reportagens apontaram que cerca de R$ 193 milhões oriundos da venda da companhia de água foram direcionados ao Ceperj, com parte relevante desses valores irrigando programas que não entregaram, na prática, os serviços prometidos à população.

Levantamentos citados por parlamentares da oposição mostraram que secretarias comandadas por aliados de Castro, como Governo e Defesa do Consumidor, foram responsáveis por repasses milionários ao Ceperj, ampliando as suspeitas de uso político da fundação. O caso levou o Tribunal Superior Eleitoral a analisar ações que podem atingir os mandatos de Castro e do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, ambos do PL, julgamento que segue pendente após sucessivos pedidos de vista.

Pressão sobre Flávio Bolsonaro e impacto nacional

No texto dirigido a Flávio Bolsonaro, Garotinho sustenta que a cúpula do PL precisa fazer uma "faxina" no Rio de Janeiro antes das eleições, sob pena de carregar para o plano nacional a imagem de um partido associado a escândalos de corrupção. Ele cita diretamente Castro, Bacellar e seus aliados como "ladrões do dinheiro público" e afirma que conservadores sinceros, liberais e eleitores de direita não aceitarão apoiar um projeto que, em sua visão, reproduz práticas que o bolsonarismo diz combater.

A ofensiva ocorre no momento em que o PL trabalha para consolidar a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026, com o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Dirigentes de outras siglas de direita já vinham criticando a hegemonia da família Bolsonaro no processo de escolha do candidato, classificando o movimento como um "projeto familiar" que não busca a unidade da oposição, o que torna ainda mais sensível qualquer associação com denúncias de corrupção no reduto eleitoral do clã.

Divisão na direita fluminense

As críticas de Garotinho também têm efeito interno no Rio de Janeiro, onde o ex-governador mantém influência política e trabalha para preservar espaço para seu grupo em negociações de alianças. Bastidores relatados por veículos locais apontam que setores da direita fluminense enxergam o governo Castro como um passivo eleitoral e temem que novos desdobramentos do caso Ceperj enfraqueçam todo o campo conservador no estado.

Analistas políticos avaliam que o embate público entre Garotinho e a cúpula do PL expõe uma disputa por protagonismo na oposição nacional e por controle da máquina partidária no Rio. Ao trazer à tona o passado recente de escândalos envolvendo o Ceperj e aliados de Castro, o ex-governador pressiona Flávio Bolsonaro a escolher entre blindar o atual governo fluminense ou buscar uma renovação que o afaste dessa herança às vésperas da campanha de 2026.

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