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DENÚCIA

Funcionária de 62 anos sofre humilhação e agressão psicológica em padaria de Vila Real

Filho do empresário Simão agride psicologicamente funcionária idosa em padaria no terminal rodoviário de Vila Real; casos de maus-tratos vêm sendo ocultados pelas autoridades.

Redação
28 de março de 2026 às 03:37
Portugal
Funcionária de 62 anos sofre humilhação e agressão psicológica em padaria de Vila Real

Na tarde desta sexta-feira, 27 de março, uma ambulância foi acionada na cidade de Vila Real após um grave incidente envolvendo a Padaria e Pastelaria Tradição, localizada no terminal rodoviário local.

A funcionária M. A. R. R., uma senhora de 63 anos e hipertensa, foi vítima de humilhação e violência psicológica por parte de um homem de nome Guilherme, filho do proprietário e empresário Simão, responsável pelas panificadora do Grupo Tradição de Vila Real.

Segundo testemunhas presentes, o episódio ocorreu quando a funcionária acidentalmente deixou cair uma xícara, que quebrou no chão. Em resposta, Guilherme teria reagido de forma agressiva, gritando com a empregada como se falasse com um animal e ordenando que ela limpasse o chão na frente dos demais clientes e funcionários, causando constrangimento público.

O impacto da situação agravou o estado de saúde da senhora, que passou mal e precisou ser socorrida pela ambulância. Ela foi levada ao hospital público de Vila Real, onde permaneceu cerca de quatro horas em tratamento médico. No entanto, a empresa não designou nenhum funcionário, muito menos o proprietário ou seu filho, para acompanhá-la durante o atendimento, demonstrando total descaso com o bem-estar da funcionária.

Mais do que um episódio isolado, investigações do Observatório Mundial revelam que essa prática de humilhação e maus-tratos é recorrente na Padaria Tradição. Funcionários atuais e ex-funcionários relataram que tanto Guilherme quanto seu pai, Simão, adotam comportamentos grosseiros e opressivos, principalmente contra trabalhadores imigrantes e pessoas em situação vulnerável.

Além da violência psicológica, a empresa atua em desacordo com a legislação trabalhista portuguesa. Embora a funcionária esteja registrada na Segurança Social como empregada de mesa, ela recebe salário incompatível, como aprendiz de balconista, e não tem direito às folgas remuneradas nos dias trabalhados. A maioria dos trabalhadores sofre supressão de direitos, enquanto apenas duas funcionárias de longa data parecem poupadas dessas práticas abusivas.

A impunidade é um fator que contribui para a perpetuação desses abusos. O empresário Simão mantém relações estreitas com autoridades da Polícia Judiciária, PSP, Segurança Social e Ministério do Trabalho, o que parece garantir a ausência de fiscalização rigorosa e impede que medidas efetivas sejam tomadas contra a empresa.

Em entrevista exclusiva, um ex-funcionário que preferiu não se identificar declarou: “O medo é constante. Quem reclama acaba perdendo o emprego. A família do dono tem proteção, e os trabalhadores ficam à mercê da exploração e do abuso.”

Diante desse cenário, o Observatório Mundial compromete-se a dar ampla publicidade ao caso, buscando que as autoridades competentes e órgãos de direitos humanos tomem conhecimento e atuem para garantir justiça e respeito aos direitos dos trabalhadores.

A denúncia revela não apenas um problema local, mas um reflexo preocupante de como vulneráveis podem ser submetidos a abusos em ambientes profissionais, mesmo em países com legislação trabalhista avançada. A sociedade civil e os órgãos reguladores têm o desafio de romper o ciclo de impunidade e assegurar ambientes de trabalho dignos e justos.

Este caso é um alerta para a necessidade urgente de fiscalização efetiva e proteção aos direitos humanos no mercado de trabalho português, especialmente para imigrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

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