Uma petição inusitada está a fazer furor em França durante o Mundial de 2026. Criada pelo adepto François Kopp, a iniciativa «Pardon Kylian» — «Perdão, Kylian», em português — convida todos os que criticaram Kylian Mbappé antes do torneio a reconhecerem publicamente que estavam errados. Em menos de 24 horas, o movimento reuniu mais de 45 mil assinaturas, tornando-se um fenómeno mediático que vai muito além do futebol.
O Contexto da Campanha
Nos meses que antecederam o Mundial, Mbappé foi alvo de críticas severas por parte de adeptos e comentadores franceses, que questionavam a sua forma física, a sua liderança e o seu compromisso com a selecção nacional. O próprio jogador chegou a afirmar sentir-se «odiado» por uma parte da opinião pública do seu país.
Tudo mudou com o início do torneio. Mbappé entrou em campo e respondeu com golos: seis em quatro partidas, com duplos registados frente ao Senegal, ao Iraque e à Suécia. Os números colocam-no entre os melhores marcadores da história das Copas do Mundo, com 18 golos em apenas 18 jogos — um rácio superior ao de Lionel Messi, que precisou de 29 partidas para atingir 19 golos.
Um Fenómeno Social
Kopp explicou à imprensa francesa o momento em que decidiu criar a petição: «Assim que ele marcou o primeiro golo contra o Senegal, coloquei as mãos no rosto e disse: perdão, Kylian.» A página rapidamente passou de brincadeira entre amigos a tema de debate nos principais meios de comunicação social do país.
O site estabelece metas humorísticas mas simbólicas: com um milhão de assinaturas, Zinédine Zidane entregaria pessoalmente um «Certificado Nacional de Perdão» ao jogador; com cinco milhões, a Torre Eiffel exibiria a mensagem «Pardon, Kylian»; e com dez milhões, o dia 20 de Dezembro — aniversário de Mbappé — seria declarado «Jornada Nacional do Perdão».
Reflexo de uma Mudança Cultural
Para além do humor, o fenómeno reflecte a volatilidade da opinião pública no desporto moderno e a rapidez com que as redes sociais amplificam tanto as críticas como as reabilitações. A transformação da percepção em torno de Mbappé em poucas semanas ilustra como o futebol funciona como termómetro social, capaz de unir ou dividir nações inteiras em torno de um único jogador.


