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DENÚCIA

Exclusivo: Investigação aponta que PCC usou banco digital brasileiro para financiar terrorismo internacional

Ministério da Defesa de Israel alertou Brasil sobre transferências de R$ 450 milhões via criptomoedas para grupos extremistas; PF já havia identificado conexão entre facção, Hezbollah e sistema financeiro paralelo

Redação
9 de março de 2026 às 01:24
Internacional
Exclusivo: Investigação aponta que PCC usou banco digital brasileiro para financiar terrorismo internacional

Em um comunicado oficial enviado ao governo brasileiro, ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal, o Ministério da Defesa de Israel revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) está utilizando um banco digital para financiar atividades terroristas no Oriente Médio. Embora o documento israelense não mencione nominalmente a organização terrorista envolvida, fontes da PF confirmaram que as investigações já apontavam há meses para a conexão financeira entre a facção paulista e grupos extremistas, como o Hezbollah.

Segundo a inteligência israelense, o esquema movimentou cerca de R$ 450 milhões em quase dois anos por meio de transferências realizadas em criptomoedas. Os recursos teriam como destino final contas ligadas a células terroristas, ampliando a preocupação das autoridades brasileiras sobre o papel do país no financiamento do crime organizado transnacional.

O elo financeiro: criptomoedas e um banco sob investigação

As suspeitas recaem sobre operações cambiais realizadas por instituições financeiras brasileiras que, deliberadamente ou por negligência, permitiram a lavagem de dinheiro para organizações criminosas. Investigações da Polícia Federal já haviam identificado que o Banco Master (anteriormente Banco Máxima) realizou remessas de US$ 531 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) para a empresa One World Services (OWS) , investigada por lavagem de dinheiro para o PCC e o Hezbollah .

De acordo com relatórios da PF, as transações ocorreram entre dezembro de 2018 e abril de 2021. A OWS, que atua no mercado de criptoativos no modelo OTC (sobre o balcão), comprou bitcoins para pessoas condenadas por lavagem de dinheiro utilizando contas no banco, sem apresentar a documentação exigida pelo Banco Central à época .

Conexão PCC-Hezbollah: o alerta ignorado

A Polícia Federal já havia deflagrado operações, como a Operação Colossus (2022) e seus desdobramentos em 2024 e 2025, que monitoraram movimentações de R$ 60 bilhões, sendo R$ 8 bilhões apenas em operações de câmbio . Durante as investigações, mensagens de WhatsApp interceptadas mostraram que o corretor de criptoativos Dante Felipini, conhecido como "criptoboy" e condenado a 17 anos de prisão por lavagem de dinheiro, enviou quantias para carteiras de criptomoedas sancionadas por Israel por terem ligação com o Hezbollah .

Felipini, que movimentou mais de R$ 700 milhões com a OWS, foi preso em janeiro de 2024 ao tentar embarcar para Dubai, onde mantinha uma offshore autorizada a negociar ativos digitais .

Os investigadores apontam que a OWS comprou bitcoins em nome de um "laranja intencional" de uma liderança do PCC. Em um dos trechos do relatório, a PF afirma que as instituições financeiras envolvidas, incluindo o Banco Master, "de forma deliberada fecharam os olhos para a realidade de seus clientes", cujos perfis eram incompatíveis com os valores transacionados .

O papel do Banco Master e as falhas regulatórias

Segundo a investigação, o então Banco Máxima realizou 331 operações de câmbio justificadas como "aumento de capital" de uma offshore da OWS em Miami. Pela regra da época, cada operação exigia uma ata societária comprovando o aporte, mas o banco entregou apenas 15 atas às autoridades, algumas com indícios de fraude — digitalizadas com minutos de diferença ou em datas consecutivas .

Além disso, a classificação incorreta das operações reduzia a tributação: enquanto aumentos de capital pagavam IOF de 0,38%, a compra de ativos no exterior seria tributada em 1,1% .

Em nota, o Banco Master informou que o caso foi encerrado no âmbito administrativo por meio de um acordo com o Banco Central, sem reconhecimento de irregularidades. O valor da multa não foi divulgado . A instituição enfrenta ainda outras investigações, incluindo fraude em empréstimos consignados do INSS e tentativa de venda ao BRB barrada pelo BC .

Resposta das autoridades e novas regras

Diante da gravidade do caso, o Banco Central passou a exigir, a partir do fim de 2025, que todas as operações de câmbio envolvendo criptoativos sigam as mesmas regras aplicáveis às casas de câmbio tradicionais, ampliando o controle e a fiscalização .

A Polícia Federal e o Ministério Público agora analisam o comunicado israelense para identificar se os R$ 450 milhões mencionados fazem parte do montante já investigado ou se representam uma nova frente do esquema. A Procuradoria-Geral da República deverá ser acionada para coordenar as investigações em âmbito federal.

Enquanto isso, a conexão entre o PCC, o narcotráfico e o terrorismo internacional escancara a vulnerabilidade do sistema financeiro brasileiro e a urgência de mecanismos mais eficazes de combate à lavagem de dinheiro.


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