Início/MUNDO - POLÍTICA/EUA assumem papel central na transição política da Venezuela após colapso do regime chavista
Voltar
MUNDO - POLÍTICA

EUA assumem papel central na transição política da Venezuela após colapso do regime chavista

Após 26 anos de domínio do chavismo, a Venezuela vive um dos momentos mais delicados e decisivos de sua história recente. Com o colapso do regime que governava o país desde o fim dos anos 1990, os Estados Unidos passaram a exercer um papel determinante no processo de transição política e institucional venezuelano, levantando debates intensos dentro e fora do país.

Mario Rabelo
4 de janeiro de 2026 às 18:53
Internacional
EUA assumem papel central na transição política da Venezuela após colapso do regime chavista

Caracas / Washington — Após 26 anos de domínio do chavismo, a Venezuela vive um dos momentos mais delicados e decisivos de sua história recente. Com o colapso do regime que governava o país desde o fim dos anos 1990, os Estados Unidos passaram a exercer um papel determinante no processo de transição política e institucional venezuelano, levantando debates intensos dentro e fora do país.

De acordo com declarações de autoridades norte-americanas e fontes ligadas ao processo de reconstrução, os EUA atuariam de forma temporária na administração estratégica de setores-chave da economia, especialmente o petróleo e outros recursos naturais, com o objetivo declarado de impedir que grupos ligados ao chavismo ou remanescentes da antiga estrutura autoritária retomem o controle do Estado.

A proposta, segundo esse entendimento, seria garantir estabilidade mínima, reorganizar instituições enfraquecidas e criar condições para uma transição política supervisionada, evitando o retorno de práticas repressivas que marcaram mais de duas décadas de governo chavista.

Petróleo no centro da disputa

A Venezuela detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua produção entrou em colapso ao longo dos últimos anos devido à má gestão, corrupção, sanções internacionais e sucateamento da infraestrutura. A eventual participação de empresas estrangeiras — sobretudo norte-americanas — na recuperação do setor é vista por defensores do plano como uma forma de reativar a economia, gerar receita e financiar serviços básicos para a população.

Críticos, no entanto, alertam para riscos de perda de soberania e questionam a legitimidade internacional de qualquer forma de administração externa dos recursos naturais venezuelanos, defendendo que o controle deve permanecer exclusivamente com um futuro governo eleito.

População reage com alívio e cautela

Em diversas regiões do país, manifestações espontâneas indicam que parte significativa da população recebeu o fim do regime com alívio e esperança, após anos de escassez, repressão política, hiperinflação e êxodo em massa. Para muitos venezuelanos, a prioridade imediata é garantir que o chavismo não volte ao poder sob novas formas.

Ao mesmo tempo, há um sentimento generalizado de cautela. Setores da sociedade civil defendem que qualquer apoio internacional seja limitado no tempo, transparente e orientado exclusivamente à reconstrução democrática, sem repetir experiências históricas de intervenções prolongadas.

Repercussão internacional

A movimentação dos Estados Unidos provoca reações divergentes no cenário global. Países aliados veem a iniciativa como uma oportunidade para estabilizar a região e conter fluxos migratórios, enquanto governos críticos denunciam violação da soberania venezuelana e ausência de um mandato multilateral claro.

Especialistas em relações internacionais destacam que o sucesso do processo dependerá menos da presença externa e mais da capacidade dos próprios venezuelanos de reconstruírem suas instituições, restabelecerem o Estado de Direito e promoverem eleições livres e reconhecidas.

Um país entre o passado e o futuro

O fim do chavismo encerra um ciclo histórico marcado por promessas de justiça social que deram lugar a autoritarismo, crise econômica profunda e isolamento internacional. O desafio agora é evitar que o vazio de poder gere novos conflitos e assegurar que a transição não substitua uma forma de opressão por outra.

Enquanto o mundo observa, a Venezuela inicia um caminho incerto — entre a reconstrução democrática, a influência estrangeira e a memória ainda viva de 26 anos de um regime que marcou profundamente o país e sua população.

Compartilhe esta notícia: