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O CRIME ORGANIZADO

Escândalo no Judiciário: Processos contra PCC prescrevem após 12 anos de inércia, Marcola e 175 criminosos ficam impunes

Inércia do Judiciário brasileiro leva à prescrição de processos contra líderes do PCC; Marcola e mais de 175 criminosos escapam da justiça após 12 anos sem sentença.

Redação
5 de fevereiro de 2026 às 03:52
Internacional
Escândalo no Judiciário: Processos contra PCC prescrevem após 12 anos de inércia, Marcola e 175 criminosos ficam impunes

Em um dos episódios mais graves da recente história do sistema judicial brasileiro, processos contra membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo seu líder Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, prescreveram após uma década de inércia e ausência de sentenças definitivas.

A prescrição — que ocorre quando o Estado perde o direito de punir por excesso de demora — atingiu mais de 175 acusados, entre eles figuras-chave do maior grupo criminoso do país. O caso expõe falhas estruturais no combate ao crime organizado e levanta questionamentos sobre a efetividade e a transparência do Judiciário no Brasil.

O PCC, fundado nos anos 1990 dentro do sistema penitenciário paulista, é responsável por uma série de crimes graves, que incluem tráfico de drogas, assassinatos, sequestros e ataques a instituições públicas. A ação judicial contra seus membros, iniciada formalmente há 12 anos, nunca avançou para sentenças conclusivas, permitindo que o prazo legal para julgamento fosse ultrapassado.

Segundo fontes do Ministério Público, a morosidade decorreu de uma combinação de fatores: falta de recursos, excesso de processos, pressão política e dificuldades operacionais para coletar provas em meio a ameaças constantes. "É um cenário catastrófico, que favorece a impunidade e enfraquece a confiança da população na justiça", afirmou um promotor que pediu anonimato.

Especialistas em direito penal apontam que a prescrição, embora prevista em lei, não deveria ser vista como uma simples formalidade. "Quando a justiça deixa de agir dentro dos prazos, ela não apenas falha na proteção da sociedade, mas também reforça a sensação de que o crime compensa", disse a professora de Direito Penal da Universidade de São Paulo, Carla Mendes.

A defesa de Marcola e dos demais acusados celebrou a decisão, classificando-a como uma vitória da legalidade. Já familiares das vítimas e entidades de direitos humanos manifestaram indignação. "É um escárnio com as famílias que clamam por justiça há anos", declarou o coordenador da ONG Justiça para Todos, Felipe Ribeiro.

O Tribunal de Justiça de São Paulo, responsável pelos julgamentos, não se manifestou oficialmente sobre a prescrição dos processos. Nos bastidores, há relatos de que a sobrecarga de casos e a falta de políticas eficazes para lidar com o crime organizado contribuíram para o colapso judicial.

Este episódio ocorre em meio a uma crescente preocupação internacional com a segurança pública no Brasil, especialmente após a expansão das facções criminosas para outras regiões da América Latina. Países vizinhos acompanham de perto os desdobramentos, preocupados com o potencial impacto transnacional.

Analistas sugerem que a crise exige uma reforma profunda no sistema judicial brasileiro, com prioridade para o combate ao crime organizado, investimentos em tecnologia e maior proteção a magistrados e promotores. "Sem mudanças estruturais, casos como este poderão se repetir, minando ainda mais a credibilidade do Estado", conclui Mendes.

Enquanto isso, Marcola e mais de 175 criminosos vinculados ao PCC permanecem soltos ou em condições que, para muitos, equivalem à impunidade. O escândalo evidencia uma falha grave que desafia o Estado de Direito e exige respostas urgentes das autoridades brasileiras e da comunidade internacional.

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