O dólar norte-americano abriu em alta nas negociações desta quarta-feira no Brasil, pressionado pela conjugação de dois factores de risco: a escalada do conflito militar no Irão e as novas tarifas anunciadas pela administração Trump sobre produtos brasileiros.
Dupla Pressão nos Mercados
Os investidores reagiram com cautela à abertura dos mercados, reduzindo a exposição a activos de risco e procurando refúgio em moedas consideradas mais seguras, como o dólar e o franco suíço. O real brasileiro foi uma das moedas mais afectadas, registando uma desvalorização significativa logo nas primeiras horas de negociação.
A guerra no Irão, que entrou numa nova fase de intensidade com ataques a infraestruturas petrolíferas na região do Golfo Pérsico, está a provocar uma subida acentuada do preço do petróleo nos mercados internacionais. Este factor, aliado à incerteza geopolítica, está a afastar os capitais dos mercados emergentes.
Tarifas Agravam o Cenário
O anúncio das tarifas norte-americanas sobre o Brasil, que totalizam 37,5%, veio agravar ainda mais o sentimento negativo dos mercados em relação à economia brasileira. Analistas do sector financeiro alertam que, caso as medidas sejam implementadas, o Brasil poderá enfrentar uma redução significativa das suas exportações para os EUA, o seu segundo maior parceiro comercial.
Perspectivas para o Resto do Dia
Os economistas consultados pela imprensa brasileira prevêem que a volatilidade cambial se mantenha elevada ao longo do dia, com o dólar a poder atingir novos máximos face ao real. O Banco Central do Brasil está a monitorizar a situação de perto e não descarta intervenções no mercado cambial para conter movimentos excessivos.
A bolsa de valores de São Paulo, o Ibovespa, também abriu em queda, com os sectores exportadores e as empresas com dívida em dólar a registarem as maiores perdas. O sector bancário e as empresas de commodities estão entre os mais afectados.
Contexto Global
A situação no Brasil reflecte uma tendência global de aversão ao risco que está a afectar os mercados emergentes em todo o mundo. A combinação de tensões geopolíticas no Médio Oriente com políticas comerciais proteccionistas dos EUA está a criar um ambiente de grande incerteza para as economias em desenvolvimento.


