Delegada é presa em São Paulo sob suspeita de vínculos com o PCC dias após assumir o cargo
A delegada, identificada como Laila, foi detida ao lado do namorado, conhecido como MC Dedel, durante o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados ao casal. Um dos alvos da operação foi a Academia de Polícia Civil de São Paulo

São Paulo — Autoridades brasileiras prenderam, na manhã desta sexta-feira, uma delegada da Polícia Civil do estado de São Paulo e seu companheiro, em uma operação que investiga supostas conexões pessoais e profissionais com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do país.
A delegada, identificada como Laila, foi detida ao lado do namorado, conhecido como MC Dedel, durante o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão em diferentes endereços ligados ao casal. Um dos alvos da operação foi a Academia de Polícia Civil de São Paulo (Cadepol), onde os investigadores vasculharam o armário funcional da delegada em busca de documentos e dispositivos eletrônicos considerados estratégicos para a apuração.
Segundo informações oficiais repassadas pela Polícia Civil, a investigação ganhou força após a publicação, em dezembro de 2025, de uma fotografia nas redes sociais mostrando Laila ao lado do então namorado. A imagem teria levantado suspeitas sobre a proximidade da delegada com indivíduos já monitorados pelas autoridades.
As apurações indicam que Laila mantinha não apenas um relacionamento amoroso, mas também vínculos profissionais com integrantes do PCC. De acordo com a polícia, ela teria atuado como advogada para membros da facção apenas nove dias após tomar posse como delegada — prática expressamente proibida a integrantes da Polícia Civil, que não podem exercer advocacia, especialmente em favor de organizações criminosas.
A operação foi coordenada por diferentes setores da segurança pública paulista, e novas informações devem ser divulgadas em uma coletiva de imprensa na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, onde as autoridades pretendem detalhar os elementos já reunidos e os próximos passos da investigação.
O caso lança luz sobre os desafios enfrentados pelas instituições brasileiras no combate à infiltração do crime organizado em estruturas do Estado, um tema sensível e recorrente no debate público nacional e internacional.

