A delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada de suas funções públicas por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A decisão ocorreu no âmbito da 6ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e vazamento de informações sigilosas ligadas ao grupo do empresário Henrique Moura Vorcaro e de seu filho, o banqueiro Daniel Vorcaro.
O caso ganhou enorme repercussão nacional após vir a público o vazamento de áudios e mensagens de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro. No material interceptado, o parlamentar cobrava do banqueiro aportes financeiros para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Esquema de Espionagem Interna na PF
De acordo com os relatórios enviados pela Polícia Federal ao STF, a delegada Valéria Vieira atuava como uma espécie de "fonte interna" para a organização criminosa, apelidada de "A Turma".
Consultas Ilícitas: A delegada utilizou suas credenciais para realizar acessos sem justificativa funcional no sistema e-Pol (plataforma de inquéritos eletrônicos da PF). Ela teria consultado detalhes de uma investigação sigilosa que tramitava em São Paulo.
Papel Intermediário do Marido: Para blindar a delegada e evitar rastros eletrônicos diretos, o marido dela, o agente aposentado da PF Francisco José Pereira da Silva, agia como a ponte de comunicação.
Destinatário das Informações: Os dados detalhados obtidos pelo casal eram repassados a Marilson Roseno da Silva, apontado pela PF como o líder operacional de uma célula criminosa ligada aos interesses da família Vorcaro.
Retirada de Passaportes e Restrições Judiciais
Diante da gravidade das evidências de violação de sigilo funcional, o ministro André Mendonça aplicou duras medidas cautelares contra a delegada e seu cônjuge:
Afastamento preventivo imediato das funções públicas de Valéria.
Entrega obrigatória de passaportes de ambos em um prazo estrito de 24 horas.
Proibição absoluta de deixar o país.
Proibição de manter contato com outros investigados ou servidores da corporação.
Posição da Defesa
A defesa técnica de Valéria Vieira Pereira da Silva e de seu marido negou categoricamente as acusações de vazamento. Os advogados argumentam que o sistema corporativo e-Pol possui travas rígidas de matrícula e que nenhum dos dois possuía cadastro ativo no inquérito de São Paulo, o que, segundo a tese defensiva, tornaria impossível a extração ou repasse dos dados confidenciais descritos na investigação.


