Um ataque ucraniano matou três pessoas na Crimeia, anunciaram esta quinta-feira as autoridades da península anexada pela Rússia. O incidente ocorre no dia seguinte a uma ofensiva contra instalações energéticas e militares em São Petersburgo, cidade onde decorria o principal fórum económico russo, e levou o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio a alertar para um "risco de escalada" do conflito.
Ataque em Simferopol
Segundo Sergei Aksyonov, chefe das autoridades da Crimeia instaladas por Moscovo, "três pessoas foram mortas e sete outras ficaram feridas devido a um ataque inimigo a edifícios não residenciais em Simferopol". A informação foi partilhada na rede social Telegram, sem que fossem fornecidos mais detalhes sobre a natureza do ataque ou os alvos visados.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky confirmou que o terminal petrolífero de São Petersburgo e a base militar de Kronstadt foram visados por drones ucranianos no dia anterior. "Os russos devem saber que se utilizarem drones e mísseis contra nós, faremos o mesmo", declarou Zelensky, referindo-se a "ataques justos".
Preocupações com Escalada
O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio manifestou preocupação perante uma comissão parlamentar, afirmando que "a Ucrânia tornou-se cada vez mais eficaz na condução de ataques de longo alcance em profundidade". Rubio sublinhou que "o risco de escalada é real, mais real do que era há dois anos", instando ao fim do conflito.
O Kremlin prometeu "respostas sistemáticas" aos ataques de Kiev, que danificaram "várias" infra-estruturas em São Petersburgo sem causar vítimas, segundo o governador Alexandre Beglov. O fórum económico internacional da cidade contava com cerca de 20.000 convidados de 130 países, incluindo ocidentais.
Baixas em Ambos os Lados
Na quarta-feira, sete pessoas morreram no leste da Ucrânia ocupado pela Rússia, vítimas de um ataque ucraniano a um autocarro, segundo as autoridades locais instaladas por Moscovo. Do lado ucraniano, bombardeamentos russos causaram cerca de dez mortos em várias regiões. Na terça-feira, 23 pessoas tinham sido mortas em Kiev e Dnipro numa salva massiva de mísseis e drones russos.
No plano diplomático, os representantes dos 27 Estados-membros da União Europeia abriram caminho à retoma formal das negociações de adesão com a Ucrânia, bloqueadas até agora por um veto húngaro, numa sinalização de apoio ao país em guerra.


